Lulla, o
apeDelta, é reincidente contumaz na
violação da lei eleitoral. Ontem, no programa do Ratinho, fez campanha aberta
para seu candidato a prefeito em São Paulo. Sua conduta revela claro desprezo
pelas regras legais, o que combina com o PT, mas não com a democracia.
01 Junho 2012
31 Maio 2012
Para refletir
Existem
países perfeitamente fascistas, sem que se
saiba...
Paulo
Roberto de Almeida
Sei que
a expressão fascista pode parecer extremamente forte, nos dias que correm, para
designar um país, mas é o que me veio à mente, após acumular, mentalmente,
dezenas e dezenas de exemplos banais, corriqueiros, ordinários, redundantes,
enfim, triviais, que confirmam o que afirmo no título deste texto. Minhas
observações, não preciso estender-me a respeito, são retiradas do que leio na
imprensa diária, nas matérias de jornais internacionais, em blogs de formadores
de opinião, e também, por que não dizê-lo?, em boletins partidários e de grupos
políticos, enfim, um pouco de tudo o que leio continuamente, regularmente,
recorrentemente, todos os dias.
Sei
também que os leitores podem achar que estou exagerando, já que, para a maior
parte das pessoas, a expressão “fascista” vem sempre associada à imagem dos
camisas negras, ou milícias armadas, desfilando – a passo de ganso ou em
qualquer outro estilo – sobre fundo de cenários cinzentos, dominados por um
ditador exaltado, fazendo discursos de ódio e incitando a massa do povo contra
um inimigo qualquer. Mas essa é uma vinculação historicamente datada, que
enfatiza mais os movimentos reais que existiram na Europa do entre-guerras (e
por imitação em outras partes do mundo também), do que a essência do “ser
fascista”, que está presente cada vez que alguns dos elementos abaixo domina o
cenário público de um país e penetra nas consciências das pessoas, sem que elas
tenham sequer consciência de que estão vivendo – que sabe até aceitando,
maquinalmente – num país perfeitamente fascista, em sua essência.
Essas
imagens estereotipadas de um regime fascista correspondem apenas à sua
superfície, ou embalagem externa, atualmente um tanto ridículas, sobretudo
depois que Charles Chaplin imortalizou a figura do ditador ridículo em seu filme
explicitamente vinculado a dois exemplos do gênero, mas é claro que
características externas não esgotam a essência do que é ser fascista. Explico
as razões de minha adesão a essa expressão, para que meu título tenha mais
consistência empírica e venha ilustrado por manifestações concretas da realidade
que vivemos, atualmente, em países talvez conhecidos dos leitores. Vejamos
alguns fatos, não opiniões.
Em qual
país, senão num país fascista, o chefe de um dos poderes constitucionais tenta
subordinar, dominar, emascular, castrar ou controlar os demais poderes, usando
para isso de todos os golpes baixos de que é capaz, inclusive os serviços de
inteligência, a sua “polícia política”, os seus esbirros partidárias, mediante
compra de consciências e de vontades, por meio da chantagem, da corrupção, das
insinuações diretas, da conquista por vantagens materiais ou intimidação pura e
simples?
Em que
país se observa uma tal concentração de poder, pela desmesura e apropriação de
recursos, monopolizados por quem controla as alavancas de extração de recursos e
de distribuição seletiva e arbitrária desses recursos? Qual o país no qual o
Estado central consegue controlar frações importantes da riqueza nacional, sem
que a massa dos cidadãos, e sequer seus representantes eleitos, possam controlar
devidamente, e na mais perfeita transparência, a coleta, o tratamento e a
distribuição (com alguns descontos pelo caminho, está claro) desses recursos?
Esse país só pode ser um país perfeitamente fascista, ainda que seus cidadãos
disso não se apercebam.
Em que
país o Estado central concentra mais e mais poderes e recursos, fazendo com que
indivíduos privados, em seu papel de produtores ou de consumidores, sejam
convertidos em dependentes obrigatórios desse Estado centralizador e
monopolista? Qual o país que coloca na lista de pagamentos do Estado, ao mesmo
tempo, o mais miserável dos excluídos e o mais ricos dos seus milionários? Só
pode ser um país fascista.
Qual o
país no qual o mesmo chefe, ungido à condição de nosso guia, líder genial dos
povos, intérprete da vontade nacional, se pretende iniciador de tudo de positivo
que existe – segundo lista que ele mesmo decretou como exclusiva de sua vontade
– e passa o tempo fazendo autoelogios e propaganda de si mesmo? Em qual país a
máquina pública é colocada a serviço do egocentrismo autista do chefe supremo, e
gasta rios de dinheiro fazendo propaganda enganosa sobre suas virtudes
inigualáveis e suas realizações inéditas? Tem de ser num país
fascista.
Em qual
país os órgãos de controle fiscal e econômico têm todo o poder e arbítrio para
invadir sua privacidade, decretar o que é ou não válido em suas contas privadas,
se permitir presumir intenções ou ações passíveis de punição administrativa,
pelo simples fato que esse órgão pode decretar, ao seu bel prazer, o que os
indivíduos podem ou não podem fazer com seu patrimônio, renda ou ganhos. Onde
mais esses mesmos órgãos, mesmo quando pensam “fazer o bem” aos empresários e
trabalhadores, “decretando” um favor qualquer no plano regulatório ou
tributário, impõem um tal número de normas e regulamentos tão complicados,
sujeito a uma burocracia kafkiana, que acaba tornando aquele favor um inferno
adicional, digno do mesmo escritor mas jamais por ele descrito em detalhes? Só
pode ser num país basicamente fascista, no direito e nas
práticas.
Em qual
país, um outro órgão supostamente constituído para a defesa da saúde pública,
impede farmácias de vender chiclete e impede cidadãos de alcançar eles mesmos
uma simples cartela de aspirina nas estantes das mesmas farmácias? Isso é
fascismo puro.
Como
chamar um país que pratica racismo oficial, que pretende dividir os cidadãos
entre uma minoria dita desprotegida, e todos os demais cidadãos, baseando-se
para isso apenas na aparência externa, e que recorre para dirimir casos
duvidosos a tribunais raciais? Qual o país no qual militantes da mesma causa
racial, divisionista, segregadora, ilegal, pretende tornar obrigatórias cotas
raciais em todas as esferas da vida pública, e quer ainda impor os mesmos
critérios sobre empresas e instituições privadas? Isso é fascismo no mais alto
grau de degeneração mental.
Qual o
país no qual o Estado se torna tão onipotente e avassalador que, desde os mais
simples cidadãos até os mais ricos empresários, todos se sentem obrigados,
compelidos, ou até mesmo o fazem inconscientemente, a recorrer ao Estado como o
nec plus ultra da vida social, como o Deus ex machina de todas as
soluções possíveis aos problemas e dilemas dessa sociedade, como se não houvesse
outras forças na sociedade do que a do Estado que tudo pode, tudo pensa, tudo
provê, tudo supervisiona, em tudo interfere, mesmo nas esferas mais recônditas
da vida privada, como a educação dos filhos, as opções sexuais das pessoas, o
que elas podem ver ou não na televisão, o que elas devem estudar nas
escolas, enfim, tudo o que perpassa a vida de cada um, da concepção até depois
de morto e enterrado? Já estamos aqui no fascismo
total...
Em que
tipo de país, um partido hegemônico pretende controlar a imprensa, determinar
como devem ser organizados os meios de comunicação, escolhe quem subsidiar nas
artes e na cultura, repassa dinheiro para os amigos do poder, escolhe quem vai
ser o vencedor de concorrências públicas (e que depois será obrigado a
submeter-se à extorsão financeira do mesmo partido), enfim, corrompe todos os
canais e instrumentos da administração pública e coloca militantes descerebrados
nas engrenagens do poder, para justamente ter o controle de todas as instâncias
da vida pública e privada dos cidadãos? Já estamos vivendo num sistema fascista,
com estas características.
Que
nome dar a um país que se deixou dominar por um sistema de tipo mafioso, e
totalitário, em que a obediência total e absoluta é devida ao semideus que
controla o sistema e tem a palavra final sobre o que pode e o que não pode nesse
país? Em que tipo de país mandarins oficiais, marajás estatais, corporações
organizadas de servidores ditos públicos, servem-se da máquina pública para fins
privados, chantageiam os cidadãos que necessitam dos serviços públicos, submetem
empresários que dependem desses serviços para produzir renda e riqueza e no
qual, as mesmas pessoas acham que possuem um direito divino aos recursos
públicos apenas porque estão no Estado? Só pode ser um país fascista, isso é
evidente.
Qual o
país no qual os ditos servidores não precisam prestar contas à sociedade, têm
direito à estabilidade imediata, se aposentam com inúmeros privilégios – que já
tinham antes na vida ativa – em relação a equivalentes funcionais do setor
privado, e ainda acham que prestam um grande favor à sociedade? Em qual país
acadêmicos e trabalhadores ditos intelectuais acham que a sociedade lhes deve
por direito pagar salários elevados sem que disso eles necessitem prestar
contas, sem qualquer critério de produtividade ou de resultados, como se fossem
marajás entronizados numa torre de marfim? Tem de ser um país de mentalidade e
comportamentos fascistas, está claro.
E,
finalmente, em qual país, senão num país fascista, todas essas características
ainda despertam admiração e orgulho, adesão inconteste e louvores exagerados,
como seu o chefe absoluto do Estado total fosse a vontade eterna consolidada na
figura em questão? Não pode ser senão num país
fascista.
O
fascismo, antes de exibir atributos materiais de tal ou qual movimento ou
partido político, e de se manifestar concretamente num regime determinado,
historicamente existente, constitui, primordialmente, um “estado mental”, uma
feitura especial da psicologia humana que corresponde àquilo que alguns
psicanalistas, psicólogos ou sociólogos chamariam de “personalidade
autoritária”. O fascismo, antes de ser de direita, de esquerda, ou de qualquer
outra corrente determinada do pensamento político dos últimos dois ou três
séculos, emerge de pulsões e comportamentos perfeitamente autoritários, e mesmo
totalitários, implicando numa vontade de dominação que parece resultar de algum
desvio de personalidade.
Não se
trata de um fenômeno ou processo puramente individual, mas deriva de tendências
psíquicas e mentais profundamente entranhadas no comportamento individual e
coletivo de milhares, talvez milhões de indivíduos que, ao longo dos séculos, e
provavelmente no decurso da história humana conhecida, se alçaram a posições de
mando e de dominação com base nessa vontade extrema de mandar e dominar outros
seres humanos. O fascismo, em sua essência, é isso: uma pulsão inexcedível para
o comando e a dominação absoluta, uma intolerância com respeito à liberdade
humana e uma incapacidade de conviver democraticamente, segundo os parâmetros de
uma sociedade normal, civilizada. O fascismo sempre é monopolizador, destruidor
das vontades alheias, monopolizador dos instrumentos de controle social,
arrebatador de todas as atenções e exigente de obediência total e
absoluta.
Pois,
ou eu muito me engano, ou tenho descoberto evidências empíricas, factuais,
materiais, de mentalidades, comportamentos, atitudes e práticas fascistas aqui e
ali, sempre que me volto para algum lugar, percorro sua imprensa, leio o que
escrevem seus “intelequituais”, ouço as perorações de alguns de seus chefes
políticos, e me espanto, de verdade, ao constatar como meus colegas e
concidadãos não percebem que estão em face de um país fascista. A maior parte da
massa não tem, obviamente, condições de fazer um julgamento elaborado a esse
respeito. Mas eu me pergunto como acadêmicos, pessoas bem informadas,
empresários que se sacrificam para viver dentro da lei (e pagam caro por isso),
como todas essas pessoas não se dão conta que estão vivendo sob um regime de
tipo fascista?
Este é
mistério para mim...
Paulo
Roberto de Almeida
Berlim,
2398: 31 Maio 201
Na mosca!
Dora Kramer, colunista do Estadão, 31/05/12:
Aos fatos. Não existe "guerra de versões" sobre a conversa de Lula com Gilmar Mendes no escritório de Nelson Jobim.
O ministro contou e reafirmou com detalhes o que foi dito. Lula e Jobim apenas o desmentiram, mas não apresentaram as respectivas versões a respeito do que foi dito naquele encontro.
Aos fatos. Não existe "guerra de versões" sobre a conversa de Lula com Gilmar Mendes no escritório de Nelson Jobim.
O ministro contou e reafirmou com detalhes o que foi dito. Lula e Jobim apenas o desmentiram, mas não apresentaram as respectivas versões a respeito do que foi dito naquele encontro.
29 Maio 2012
O Blog do Pannunzio demonstra que Gilmar Mendes falou a verdade à Veja
Saiba por que Gilmar Mendes resolveu revelar o assédio de Lula a Veja
O que você vai ler abaixo não é inferência, interpretação nem opinião. É informação. Este post vai revelar o motivo pelo qual o ministro Gilmar Mendes decidiu contar à Revista Veja detalhes da insidiosa conversa com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ocorrida no dia 26 do mês passado.
Desde que a revista chegou às bancas, três perguntas recorrente e importantes permaneciam sem resposta: Por que Gilmar Mendes resolveu agir dessa forma? Por que o atraso de um mês entre o fato e a versão apresentada pelo ministro? Gilmar tem como provar que ouviu de Lula o que disse ter ouvido no escritório de Nelson Jobim?
Uma parte das respostas está contida na entrevista na entrevista concedida hoje ao Jornal Zero Hora. Disse o ministro:
“Fui contando a quem me procurava para contar alguma história. Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso”.
Em seguida, a entrevista envereda pela seara de outros assuntos — as intrigas da CPI do Cachoeira. A repórter pergunta a Gilmar Mendes: “Jornalistas disseram ao senhor que o Lula estava associando seu nome ao esquema Cachoeira?”. Ao que o ministro responde: “Isso. Alimentando isso”.
Alimentando isso.
Não era o que o ministro queria dizer. Se tivesse sido questionado, teria contado que foi procurado por duas importantes jornalistas dias atrás para saber da mesma história. Espantou-se com o vazamento. Apesar de constrangido, ele havia decidido falar sobre o assunto apenas com alguns de seus pares, pessoas discretas que jamais revelariam a conversa constrangedora. E mantê-la longe dos jornais.
Essas jornalistas são profissionais respeitabilíssimas. Ocupam posições importantes em uma empresa não menos. A história chegou a elas por intermédio de uma fonte crível que preza da amizade de ambos, Gilmar e Lula.
Sabe como a fonte ficou sabendo do diálogo ?
Porque Lula contou.
Isso mesmo. Foi Lula em pessoa quem cometeu a indiscrição de falar sobre a conversa com Gilmar Mendes, descendo ao nível dos detalhes que agora estão expostos por iniciativa do ex-presidente do STF.
Esta é a razão oculta por trás da “inconfidência” do ministro Gilmar Mendes. E também a justificativa para a incapacidade do ex-presidente da República de fazer um desmentido cabal, como o assunto exigiria caso o magistrado pudesse ser desmentido.
Não pode. Há testemunhas muito bem identificadas no caminho da informação que transitou entre o escritório de Jobim e as páginas de Veja.
Se alguém falou demais, não foi Gilmar Mendes. Foi Lula. Simples assim.
Quem fala demais dá bom-dia a cavalo. Deu no que deu.
O que você vai ler abaixo não é inferência, interpretação nem opinião. É informação. Este post vai revelar o motivo pelo qual o ministro Gilmar Mendes decidiu contar à Revista Veja detalhes da insidiosa conversa com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ocorrida no dia 26 do mês passado.
Desde que a revista chegou às bancas, três perguntas recorrente e importantes permaneciam sem resposta: Por que Gilmar Mendes resolveu agir dessa forma? Por que o atraso de um mês entre o fato e a versão apresentada pelo ministro? Gilmar tem como provar que ouviu de Lula o que disse ter ouvido no escritório de Nelson Jobim?
Uma parte das respostas está contida na entrevista na entrevista concedida hoje ao Jornal Zero Hora. Disse o ministro:
“Fui contando a quem me procurava para contar alguma história. Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso”.
Em seguida, a entrevista envereda pela seara de outros assuntos — as intrigas da CPI do Cachoeira. A repórter pergunta a Gilmar Mendes: “Jornalistas disseram ao senhor que o Lula estava associando seu nome ao esquema Cachoeira?”. Ao que o ministro responde: “Isso. Alimentando isso”.
Alimentando isso.
Não era o que o ministro queria dizer. Se tivesse sido questionado, teria contado que foi procurado por duas importantes jornalistas dias atrás para saber da mesma história. Espantou-se com o vazamento. Apesar de constrangido, ele havia decidido falar sobre o assunto apenas com alguns de seus pares, pessoas discretas que jamais revelariam a conversa constrangedora. E mantê-la longe dos jornais.
Essas jornalistas são profissionais respeitabilíssimas. Ocupam posições importantes em uma empresa não menos. A história chegou a elas por intermédio de uma fonte crível que preza da amizade de ambos, Gilmar e Lula.
Sabe como a fonte ficou sabendo do diálogo ?
Porque Lula contou.
Isso mesmo. Foi Lula em pessoa quem cometeu a indiscrição de falar sobre a conversa com Gilmar Mendes, descendo ao nível dos detalhes que agora estão expostos por iniciativa do ex-presidente do STF.
Esta é a razão oculta por trás da “inconfidência” do ministro Gilmar Mendes. E também a justificativa para a incapacidade do ex-presidente da República de fazer um desmentido cabal, como o assunto exigiria caso o magistrado pudesse ser desmentido.
Não pode. Há testemunhas muito bem identificadas no caminho da informação que transitou entre o escritório de Jobim e as páginas de Veja.
Se alguém falou demais, não foi Gilmar Mendes. Foi Lula. Simples assim.
Quem fala demais dá bom-dia a cavalo. Deu no que deu.
26 Maio 2012
A coisa está feia
O mordomo do papa foi preso por estar se apropriando de documentos e correspondência particulares do Sumo Pontífice. É ou não sinal do fim dos tempos?
25 Maio 2012
Piada do ano
“Faz parte da minha genética, sempre fui habituado a trabalhar.”
(Luiz Inácio ApeDelta da Silva, em entrevista mencionada no Estadão on Line, 25/05/12)
(Luiz Inácio ApeDelta da Silva, em entrevista mencionada no Estadão on Line, 25/05/12)
23 Maio 2012
Belo editorial do Estadão
Prisioneiro do
ressentimento
23 de maio de 2012 | 3h 08
Mais velho, mais
sofrido - e nem por isso mais sábio -, o ex-presidente Lula levou para a Câmara
Municipal de São Paulo, onde receberia na segunda-feira o título de Cidadão
Paulistano, as suas obsessões e os seus fantasmas: as elites e o mensalão. Ao
elogiar no seu discurso a gestão da prefeita Marta Suplicy, ele se pôs a
desancar a "parte da elite" de cujo preconceito ela teria sido vítima
"porque ousou governar para os pobres". Marta fez os CEUs (centros
educacionais unificados), exemplificou, para acolher crianças de favelas, algo
inaceitável para aqueles que não querem que os outros sejam "pelo menos
iguais" a eles.
O ressentimento de
que Lula é prisioneiro o impede de aceitar que, numa megalópole como esta, há
de tudo para todos os gostos e desgostos - e não apenas no topo da pirâmide
social. Os que nele se situam, uma população que o tempo e as oportunidades de
ascensão de há muito tornaram heterogênea, não detêm o monopólio do preconceito
de classe. Durante anos, até eleitores mais pobres, portadores, quem sabe, do
proverbial complexo de vira-lata, refugaram a ideia de votar em um candidato
presidencial que, vindo de onde veio e com pouco estudo, teria as mesmas
limitações que viam em si para governar o Brasil.
Lula tampouco
admite, ao menos em público, que dificilmente teria chegado lá se o destino não
o tivesse levado a viver na mais aberta sociedade do País - que também abriga,
repita-se, cabeças egoístas e retrógradas, mas onde o talento, o trabalho e a
perseverança são os mecanismos por excelência de equalização social. Em 1952,
quando a sua mãe o trouxe com alguns de seus irmãos para cá, estava em pleno
andamento, aliás, a substituição das tradicionais elites políticas paulistas
por nomes que expressavam as mutações por que vinha passando desde a 2.ª Guerra
Mundial o perfil demográfico da capital.
Pelo voto popular,
chegaram ao poder descendentes de imigrantes e outros tantos cujas famílias,
vindas de baixo, prosperaram com a industrialização, educaram os filhos e os
integraram, à americana, na renovada estrutura política. O curso natural das
coisas, pode-se dizer, consumou a metamorfose na pessoa do carismático torneiro
mecânico pau de arara ungido presidente da República. No Planalto, é bom que
não se esqueça, ele vergastava as elites nos palanques e se acertava na
política com o que elas têm de pior. Lula se amancebou com expoentes do
coronelato do atraso, do patrimonialismo e da iniquidade - o mesmo estamento
oligárquico que contribuiu para confinar à miséria incontáveis milhões de
nordestinos.
Elas não lhe
faltaram no transe do mensalão - "um momento", repetiu pela enésima
vez o mais novo cidadão paulistano, "em que tentaram dar um golpe neste
país". Na sua versão da história, as elites, a oposição e a mídia só
desistiram de destituí-lo de medo de "enfrentarem o povo nas ruas".
Falso. Lula ainda não havia completado o trajeto da contrição - "eu não
tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir
desculpas" - à ameaça de apelar ao povo, quando a oposição preferiu não
pedir o seu impeachment para não traumatizar o País pela segunda vez em 13
anos. Pelo menos um dos homens do presidente, ministro de Estado, procurou os líderes
oposicionistas para dissuadi-los da iniciativa.
O estopim foi o
depoimento do marqueteiro de Lula, Duda Mendonça, na CPI dos Correios, em
agosto de 2005. Ele revelou ter recebido em conta que precisou abrir no paraíso
fiscal das Bahamas, a conselho de Marcos Valério, o publicitário que viria a
ser o pivô do mensalão, a soma de R$ 10 milhões pelos serviços prestados três
anos antes à campanha presidencial do petista e ao partido. Afinal, parcela da
bolada já estava no exterior e outra sairia do caixa 2 da agremiação - os
famosos "recursos não contabilizados" que Lula admitiria existir na
reunião ministerial que convocou para o dia seguinte da oitiva de Duda.
Tecnicamente, o PT poderia ter o seu registro cassado, e o presidente poderia
ser afastado, se as elites quisessem levar a ferro e fogo o combate político.
Se conspiração houve, em suma, foi para "deixar pra lá".
21 Maio 2012
Texto do mestre Reinaldo Azevedo
Negros, feministas, homossexuais, índios, sem-terra, sem-teto, sem eira nem beira… Todos anseiam que a História seja vivida como culpa, e a desculpa se traduz na concessão de algum privilégio. Isso que já é uma ética coletiva supõe que todos são vítimas de alguém ou de alguma coisa. De quem ou do quê? Ninguém sabe. “Da sociedade” talvez. A hipótese é interessante. Poderíamos zerar a História, dissolver os contratos e voltar ao estado da natureza. O Brasil já tem um novo “negro” ou um novo “índio”: é o macho branco, pobre, heterossexual e católico. É um pobre coitado, um discriminado, um sem-ONG. Nem os padres querem saber dele.
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