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A conta vai chegar. Artigo de Marcos Lisboa, Brazil Journal, 06/10/2022

OPINIÃO: O Executivo e o Congresso distribuíram presentes. A conta vai chegar.   6 de outubro de 2022   A agenda de política econômica no Brasil vive ciclos recorrentes de avanços e retrocessos.   Nos momentos de crise, o País adota reformas para enfrentar alguns de seus difíceis dilemas. Mas mal começamos a colher os frutos da melhora, voltamos a reincidir nos retrocessos, criando novos problemas para os anos seguintes.   A reação à última grande crise – iniciada em 2014 – trouxe importantes avanços na política econômica, e foi seguida por uma retomada da economia.   O teto de gastos permitiu uma impressionante queda da taxa de juros de mercado a partir do terceiro trimestre de 2016, interrompendo a severa recessão iniciada no governo Dilma.   A reforma trabalhista parece ter permitido melhor negociação entre empresas e seus empregados, reduzindo os incentivos a ações judiciais oportunistas. Os dados mais recentes indicam o fortalecimento do mercado form...

Editorial do Estadão, 12/10/2022

  Não foi só a PEC Kamikaze Feroz crítico da gastança petista, mercado parece indiferente ao caráter perdulário do Centrão, que usa o conservadorismo liberal para disfarçar o sequestro do Estado para fins privados Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 12 de outubro de 2022 | 03h00 O triunfo de deputados e senadores vinculados a partidos do centro e da direita nas eleições foi motivo de comemoração no mercado financeiro. Analistas avaliaram que um Congresso conservador seria uma barreira a medidas populistas propostas por um eventual governo liderado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o mercado, a esquerda teria maior disposição para aumentar gastos, enquanto o centro e a direita tenderiam à moderação fiscal. Se isso já foi verdade no passado, o histórico recente de atuação do Legislativo não inspira nenhum otimismo em relação à contenção de despesas públicas. Desde o início do governo de Jair Bolsonaro, quase 40 iniciativas aprovadas pela Câmara e pelo Se...

Editorial do Estadão, 11/10/2022

Carcomendo a democracia Ao pretender aumentar número de cadeiras do Supremo para apinhá-lo de ministros que lhe sejam ‘leais’, Bolsonaro quer desidratar o Poder que ainda freia seus devaneios autoritários Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 11 de outubro de 2022 | 03h00 O presidente Jair Bolsonaro cogita apoiar mudanças na Constituição para aumentar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em indisfarçável tentativa de estabelecer naquela corte, caso ele seja reeleito, uma maioria capaz de tornar “constitucional” toda e qualquer iniciativa do governo. A ideia foi defendida pelo vice-presidente Hamilton Mourão, senador eleito pelo Rio Grande do Sul, e o presidente, quando questionado sobre o assunto, não desmentiu. Antes, confirmou que a discussão do tema é uma forma de pressão sobre o STF, tido e havido pelo bolsonarismo como grande foco de oposição ao governo – o presidente já chegou a dizer que o Supremo “interfere demais e atrapalha muito o destino do Pa...

Editorial do Estadão, 10/11/2022

E o lavajatismo chegou lá Em respeito à natureza da operação e a seus resultados, a Lava Jato não deve ser usada em questões político-eleitorais. O combate à corrupção não deve ter preferência partidária Notas&Informações, O Estado de S.Paulo 10 de outubro de 2022 | 03h00 A Operação Lava Jato foi promovida por três instituições de Estado: a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal. Nenhuma das três instituições tem competência para fazer política partidária ou para atuar politicamente no País. O papel delas, cada uma dentro do seu âmbito, é contribuir para a vigência e a aplicação do Direito. Dessa forma, a Lava Jato, em respeito à própria natureza da operação e a seus resultados, não deve ser usada ou estar envolvida em questões político-eleitorais. Seu âmbito é outro. No entanto, neste ano, as duas mais conhecidas figuras da Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol, promoveram suas candidaturas ao Senado e à Câmara dos Deput...

Editorial do Estadão, 06/10/2022

  Nem social, nem democrata A ascensão e queda dos tucanos é um retrato em miniatura da tragédia política nacional. O PSDB se putrefaz quando a República mais precisa de uma social-democracia responsável Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 06 de outubro de 2022 | 03h00 Parte considerável do eleitorado irá às urnas constrangida a escolher o mal menor entre o que há de mais retrógrado na direita e na esquerda. A guerra entre os populismos lulopetista e bolsonarista estava contratada desde 2018. Nunca como nesses quatro anos e nos próximos quatro foi tão importante mobilizar uma coalizão centrista, agregando o melhor à esquerda e à direita em nome da defesa da democracia; da descentralização política e administrativa; do Estado a serviço do povo e não de privilegiados; e do crescimento sustentável com distribuição de renda e educação de qualidade. Com essas premissas, nascia com a Constituição, em 88, um partido, o PSDB, voltado a concretizar seu ideário, invocando uma lu...

Editorial do Estadão, 04/10/2022

A onda reacionária O relativo sucesso do bolsonarismo nas urnas nada tem de conservador, é só reacionário. Esquerda e direita republicanas têm o desafio de articular antídotos com mais democracia Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 04 de outubro de 2022 | 03h00 A reação ao risco da volta do lulopetismo ao poder brotou forte das urnas na eleição de domingo passado. Mas não nas formas sadias do liberalismo e do conservadorismo, e sim na sua deformação: o reacionarismo. Conservadores e liberais buscam conservar liberdades fundamentais e valores universais, materializando-os progressivamente com base na estabilidade das instituições e reformas articuladas e pactuadas na arena política. O revolucionarismo progressista se opõe a esses princípios. Mas o reacionarismo também: em nome de um passado idealizado, busca autoritariamente girar a roda da História para trás, arruinando as instituições democráticas. A democracia só é funcional quando esquerda e direita, no debate mais livr...

Editorial do Estadão, 02/10/2022

  Nem Bolsonaro, nem Lula Não é compatível com a democracia condenar o eleitor à escolha entre o lulopetismo e o bolsonarismo, opções nefastas para o País. Há outros candidatos democráticos e competentes Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 02 de outubro de 2022 | 03h00 No dia em que os brasileiros irão às urnas para escolher quem governará o País nos próximos quatro anos, este jornal se considera no dever de recomendar que os eleitores rejeitem tanto o atual presidente, Jair Bolsonaro, como o petista Lula da Silva, que pretende voltar ao poder depois de 12 anos. Ao contrário do que ambos querem fazer parecer, ainda estamos no primeiro turno, ou seja, há vários outros candidatos, alguns seguramente melhores que Bolsonaro e Lula – que, cada um à sua maneira, violentam vários dos princípios que orientam o Estadão há mais de um século. Além de ter gestado um governo conflituoso, irresponsável e desastroso, Jair Bolsonaro ameaçou, de forma reiterada, o processo eleitoral e ...

Editorial do Estadão, 01/10/2022

  Debate reflete a miséria da campanha Truculência bolsonarista, que incluiu a exumação de suspeitas infundadas sobre envolvimento de Lula no caso Celso Daniel, monopoliza último debate, em que quase não se discutiu o País Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 01 de outubro de 2022 | 03h00 O presidente Jair Bolsonaro usou o debate entre os candidatos a presidente na TV Globo, na noite de anteontem, para levantar suspeitas de que seu principal oponente, o ex-presidente Lula da Silva, foi o “mentor intelectual” do sequestro e assassinato do petista Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André (SP), em 2002. Disse mais: que, segundo essa versão fantasiosa, Lula pagou “milhões” para que não fosse envolvido nas investigações. Trata-se de gravíssima acusação, que não encontra qualquer respaldo no resultado das investigações da polícia – que, como se sabe, concluíram que se tratou de crime comum. Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que a campanha bolsonarista ret...

Artigo de Alexandre Schwartsman, Folha, 29/09/2022

Em louvor do voto inútil Os dois líderes das pesquisas não têm comprometimento com a democracia 29.set.2022 às 11h44 Alexandre Schwartsman Doutor em economia (Universidade da Califórnia, Berkeley), é ex-diretor do Banco Central Colegas economistas, a quem respeito, discordam das propostas do PT, mas mesmo assim lançaram recentemente uma carta de apoio ao dito "voto útil" em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Não a assinei, nem pretendo fazê-lo, assim como não tenho a menor intenção de entregar meu voto, inútil, ao ex-presidente (muito menos ao atual, já adianto). E sequer é pelo lamentável programa econômico, cuja expressão mais recente só revela que nada esqueceram nem aprenderam com os erros que levaram o país a uma das piores recessões dos últimos 50 anos, ainda atribuída às "pautas-bomba" e a outras atividades paranormais. Por pior que seja, não é, nem de longe, o motivo da minha recusa. Não votarei em Lula no primeiro turno —tampouco no segundo, se houver— porque ...

Editorial do Estadão, 29/09/2022

  A intolerável ameaça de Bolsonaro A poucos dias da eleição, o presidente continua ameaçando descumprir a vontade do eleitor. O País não pode ser refém do golpismo. As instituições têm os instrumentos para puni-lo Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 29 de setembro de 2022 | 03h00 O presidente da República, Jair Bolsonaro, manifestou mais uma vez sua disposição de não respeitar a vontade do eleitor caso esta lhe seja desfavorável. Este jornal, que considera a alternância no poder e o respeito às instituições como algumas das mais preciosas bases da democracia, entende que é inaceitável que qualquer candidato, sobretudo na condição de presidente da República, lance suspeitas infundadas sobre o processo eleitoral e sobre a lisura da Justiça Eleitoral, tentando, assim, deslegitimar o resultado das urnas. No Jornal da Record, quando o repórter lhe perguntou se aceitará o resultado das eleições caso seja derrotado, Bolsonaro respondeu: “Olha, eu vou esperar os resultados”. Na...

Editorial do Estadão, 25/09/2022

  Bolsonaro prejudica Bolsonaro No cenário atual, com inflação em queda e emprego em alta, qualquer presidente teria chances de reeleição, por isso se pode dizer que Bolsonaro não sobe nas pesquisas por ser quem é Notas&Informações, O Estado de S.Paulo 25 de setembro de 2022 | 03h00 O cenário econômico e social, se não chega a ser deslumbrante, é menos sombrio do que o observado até há alguns meses. À retomada do crescimento econômico juntou-se a expressiva queda da inflação e, sobretudo, a redução da taxa de desemprego. Há mais pessoas trabalhando hoje do que nas vésperas da eleição presidencial de 2018 e há menos brasileiros sem ocupação. Presidentes que se candidataram à reeleição enfrentaram problemas de diferentes naturezas, mas, ainda assim, tiveram êxito. No caso de Bolsonaro, porém, as pesquisas mostram que, apesar da melhora do quadro econômico, sua reeleição parece difícil. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, foi reeleito em 1998 a despeito de sérios problemas...

Editorial do Estadão, 24/09/2022

A democracia não depende de Lula É legítimo advogar pelo voto útil, mas desqualificar intenção de voto que não seja em Lula é pouco democrático. Democracia é feita com liberdade de escolha, e não com oportunismos Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 24 de setembro de 2022 | 03h00 É cada vez mais evidente o clima de constrangimento a quem não adere ao lulismo no primeiro turno. Em vários setores da sociedade, há uma desqualificação de toda intenção de voto que não seja no candidato do PT, tratando-a não apenas como apoio à reeleição de Jair Bolsonaro, mas como uma explícita atitude antidemocrática. Perante essa pressão rigorosamente inconstitucional, é preciso lembrar alguns pontos básicos sobre liberdade política e regime democrático. É plenamente legítimo advogar pelo chamado “voto útil” desde o primeiro turno. Faz parte da liberdade política a ponderação, a partir das informações trazidas pelas pesquisas de intenção de voto, entre os riscos e as oportunidades de cada escolh...

Editorial do Estadão, 22/09/2022

Estadista de fancaria Em sua viagem à Grã-Bretanha e aos EUA, Bolsonaro confirma sua incapacidade de agir como chefe de Estado e sua dificuldade de respeitar os limites, seja o do decoro do cargo, seja o da lei Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 22 de setembro de 2022 | 03h00 Em seu recém-encerrado tour pelo exterior, o presidente da República, Jair Bolsonaro, tinha dois compromissos como chefe de Estado: participar do funeral da rainha Elizabeth em Londres e da abertura da Assembleia-Geral da ONU em Nova York. Esteve nas duas solenidades, mas em nenhuma delas participou efetivamente como chefe de Estado. Usando dinheiro público e a estrutura da Presidência, Jair Bolsonaro não se comportou como representante do Brasil, mas como um líder de facção política, fazendo comícios eleitorais onde se exigia uma conduta de estadista. Diante de um histórico que inclui a imitação jocosa de um doente de covid com falta de ar, sabotagem do esforço para vacinar os brasileiros, propagand...

Editorial do Estadão, 21/09/2022

  Os petistas, ora vejam, estão cansados Lula diz que o PT está ‘cansado de pedir desculpas’. A quem, não se sabe. Os brasileiros lesados pela corrupção e a inépcia petistas é que estão cansados de esperar pela contrição do PT Notas&Informações, O Estado de S.Paulo 21 de setembro de 2022 | 03h00 “O PT”, desabafou Lula da Silva à revista britânica The Economist, “está farto de pedir desculpas.” Talvez o tenha feito a portas fechadas, em absoluto sigilo, pois ninguém jamais viu um petista publicamente arrependido por ter participado de governos ineptos e corruptos. O PT, ao contrário, não se cansa de alardear a culpa alheia, mas os brasileiros se cansaram de esperar um mea culpa pelo mensalão, pelo petrolão ou pela recessão, que figuram com brilho entre os maiores casos de degradação moral e socioeconômica da República. O PT jamais se desculpou por sua irresponsabilidade em relação a quase todos os principais temas políticos e econômicos do País. Por exemplo, veio de Lula da ...

Editorial do Estadão, 20/09/2022

  Comício infame Incapaz de sentir compaixão por seus compatriotas, Bolsonaro desrespeita o luto dos britânicos, usa funeral da rainha como palanque e, de quebra, volta a duvidar do sistema eleitoral Notas & Informações, O Estado de S.Paulo 20 de setembro de 2022 | 03h00 A pretexto de atender ao funeral de Estado da rainha Elizabeth II, o presidente Jair Bolsonaro viajou a Londres para fazer comício e produzir imagens para sua campanha pela reeleição. Trata-se de evidente abuso de poder político e econômico, o que impõe a aplicação de uma punição exemplar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não satisfeito, Bolsonaro ainda ampliou sua extensa folha corrida de crimes de responsabilidade ao difundir – mais uma vez sem provas – suspeitas sobre a segurança do sistema eleitoral do País, dizendo que, se ele não ganhar a eleição no primeiro turno, é porque “algo de anormal aconteceu no TSE”. Durante essa rápida e infame passagem pela capital do Reino Unido, Bolsonaro envergonh...